terça-feira, 19 de abril de 2011

A utilização do princípio do ISO em Musicoterapia

Primeiramente é importante saber o que significa ISO. Em musicoterapia quer dizer Idenditade Sonora. São os elementos e arquétipos sonoros e/ou musicais que vão se estabelecendo em um ser humano desde momento intra-uterino até idade avançada. Não podemos confundir com o conceito de paisagem sonora, sendo este um elemento do estudo na educação musical. Evidentemente eles se confluem, ou seja, os elementos sonoros que rodeiam ao nosso cotidiano vão fazer parte da nossa identidade sonora.
Já em fase fetal, recebemos estímulos sonoros e/ou vibratórios que vão constituindo arquétipos no plano inconsciente. estímulos tátil e sonoro podem e são percebidos pelo futuro bebê.
Numa sessão de musicoterapia clínica com grávidas, cabe ao musicoterapeuta fazer uma breve investigação do modo de vida da mãe e das relações sonoras que cercam os futuros pais e familiares. Isto pode ser importanta para aplicarmos o princípio do ISO não são ao feto mas tambem a futura mamãe, que tem biologicamente relação simbiótica e quando há participação paternal relação simbiótica social. Efetuando inferências sonoras diretamente a barriga materna, a criança que ali está se formando, vai absorvendo conteúdos sonoros e tambem musicais que poderão contribuir para diversas reações posteriormente no mundo exterior.
Quando falamos em utilização do ISO em crianças e adolescentes já é necessário inicialmente levantar informações iniciais sobre o universo sonoro e musical em que estão inseridas. Claro que se tratando de crianças em que haja impedimento de expressar-se verbalmente ou patologias como autismo por exemplo, é necessário sempre a verificação do prontuário daquela criança. No caso de patologias em que a comunicação natural torna-se dificultosa, a imediata ação do terapeuta com a manipulação dos sons em instrumentos musicais adequados e outras fontes sonoras é importante.
Pode ser um trabalho árduo, pois muitas vezes numa sessão de 30 minutos a criança ou até mesmo o adolescente/adulto produziu 3 ou 4 sons diferentes ou iguais, ou até mesmo ficou no catatonismo, dependendo do caso.
Na esquizofrenia Catatônica por exemplo, em maioria das vezes a intervenção do musicoterapeuta e sua habilidade com criação sonora será de extrema necessidade, para atrair o ouvinte(o paciente) e procurar a partir daí extrair algum estímulo, ainda que seja um estímulo bem elementar.
Quando  falamos de pessoas sem patologias mais profundas, ou mesmo apenas os pacientes "neuróticos" e normais, a conduta pode ser diferente. Ainda que os instrumentos e fontes sonoras estejam disponíveis no set terapêutico, muitas vezes o musicoterapeuta deve dirigir-se ao paciente e perguntar se quer tocar alguma coisa. O paciente não precisa ser música nem saber nenhum instrumento, pois ele irá manusear várias fontes sonoras e/ou voz. Existem procedimentos de conduta empático-musical que serão abordados em postagens futuras.
O importante é saber que todos os seres humanos carregam em si arquétipos sonoros em níveis consciente, pré-consciente e inconsciente. O ISO tambem pode ser dividido em classes
ISO INDIVIDUAL: é aquele inerente unicamente ao indivíduo, não sendo compartilhado com outro. Uma música pode ser ouvida por várias pessoas, no entanto a recepção desta quando única em nível de percepção temos ISO individual. A relação de um indivíduo com um determinado som, timbre, quando existe reação muito peculiar tambem temos o ISO individual.
ISO GRUPAL: é a identidade sonora que atual em um determinado grupo. Exemplo: uma música que durante uma determinada época atinge determinado grupo. tambem pode estar relacionado a sons não necessarimente musical Exemplo: Uma sala de aula sofre interferência de uma reforma que está sendo feita na sala ao lado. É um iso temporário e atua mais exclusivamente naquele grupo.
ISO CULTURAL: São músicas e maneiras de expressar-se sonoramente fechados a um determinado grupo cultura. É durador, e está ligado a manifestações culturais de um determinado grupo social.
ISO UNIVERSAL: São sons inerentes a todos os seres humanos. Sons biológicos, produzidos pelo corpo humano, seja intencional ou natural.ritmos musicais "primitivos" praticados por quase todo mundo como o
exemplo abaixo:


Uma semínima e duas colcheias num contexto em binário simples 2/4





O estudo do ISO é conceituação e aplicabilidade quanto prática é muito extensivo e requer sempre um olhar firme e clínico sobre suas abordagens que podem muitas vezes divergir, mas num contexto geral espero ter ilustrado de uma forma simples e concisa.
Darcy Chaplin S de Araujo

2 comentários:

CONNAISSANCE DANS CHAQUE DÉCOUVERTE disse...

Procuro uma formação em musicoterapia e o conceito de ISO se torna fundamental na terapêutica da saúde.

Haru Colecionáveis disse...

Formação em Musicoterapia você encontrará em nível de graduação(bacharelado) ou Pós-graduação(lato sensu). Quanto ao conceito de ISO, você pode desenvolver um estudo(tcc ou monografia) sobre o assunto. Desconheço especialidade em ISO, já que é fundamental ao musicoterapeuta o entendimento dos níveis em que o ISO atua na pessoa e seu conceito fundamental que, sinteticamente falando seria, os arquétipos sonoros e/ou musicais de que constituem o ser humano. ISO não é uma ferramenta do musicoterapeuta, mas uma abordagem fundamental para que o mesmo possa trabalhar ao cliente ou paciente as necessidades destes para uma melhor qualidade de vida, desenvolvimento cognitivo ou até mesmo neuro e psicopatologias que estejam indicada ao tratamento musicoterápico.